Cancioneiro da vida inteira
     
BRASIL, Sudeste, Homem, de 20 a 25 anos, com ou sem trilha sonora original
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12. 1, 2, 3, 4... / Little Quail & The Mad Birds

13. Lugar do Caralho / Wander Wildner

1. Há seis meses (mais ou menos) dedici começar essa budega.

2. Peguei uma idéia do Hornby, e o intuito era fazer algo não igual, de maneira nenhuma, mas influenciado por essa idéia. Outra "abordagem", por assim dizer, e uma mesma premissa: tratar de algumas canções aí.

3. Até que está dando certo, pra mim. Como sou humano, é natural (naturalíssimo) que eu não esteja exatamente 100% satisfeito com toda a produção desde então, porém de modo geral é plausível afirmar que até que está dando certo.

4. O livro do Hornby tem 31 canções. Até aqui, essa budega tem 13. Agora que me toquei que 13 é 31 invertido. Que legal.

Não tem 5.

[...]

Mas tem espaço pra falar que também não terá 14. Depois do prólogozinho, vamos ao que interessa (ou não). Primeiramente, a escolha da canção "Lugar do Caralho", do Wander Wildner (pra poupar espaço lá embaixo: está no álbum Baladas Sangrentas) foi quase que aleatória, mas o título acho que tem uma certa presença (e também acabei de associar com um negócio, do qual tratarei logo mais). Acho também que ouvi essa música uma só vez na vida, quando muito; mas foda-se. Bom, pra parar de enrolação: não estou com raiva do Cancioneiro, nem da minha produção, nem de nada na verdade. Não sei porque estou dando satisfação por algo que julgo não merecer satisfação alguma, mas tudo bem. Então. Dito isso (que não estou bravo nem com raiva de nada), venho por meio desta anunciar que NÃO parei NEM vou parar de escrever, mas numa budega que não essa. Estou apenas abandonando todo esse conceito influenciado pelo lance do Hornby, e vou continuar a escrever num outro lugar, que vai ser bem mais bonitinho que essa coisa truncada que são os templates do Uol Blog (estes, por sua vez, não têm absolutamente nada a ver comigo também). Tudo o que escrevi (ou não) aqui naturalmente continua válido de um modo ou de outro: acredito que o conceito do Cancioneiro, muito mais do que baseado no Hornby, era dar um pontapé inicial pra meus espasmos verborrágicos. Bom, o pontapé foi dado, e isso é o que importa. Aliás, não sei porque continuo a dar essas satisfações, vou parar com esse site e começar outro, caraleo. Pronto. Tem gente que trata essa coisa de mudança de blog com tal pompa que chega a ser patético. Como se essa merda digital tivesse realmente algum valor ou significado que justificasse algum tipo de pompa. Então...

[...]

Lugarzinho do caralho esse. No mau sentido mesmo. Não a Internet (essa porra é tão grande que qualquer expressão tem de achar uns 666 sentidos pra poder caracterizá-la direito). Falo desse segmento, sub-produto internético chamado blog. Pingos nos i's: falando genericamente, quando a quantidade de informação é enorme, gigantona mesmo, não se aproveita nada. Não é hipérbole, é "nada" mesmo ("Nada" do Los Pirata foi uma opção cogitada para canção-pseudotítulo). Tudo bem, o intuito do blog, pelo menos quando foi criado, era servir como uma espécie de "diário virtual" (que coisa brega, ainda bem que não fui eu que inventei), onde o indivíduo escreve o que bem entender, podendo discorrer sobre sua própria vida, da vizinha, blábláblá. Óbvio que um conceitinho babaca desses não ia se sustentar por muito tempo, se fosse só isso e ponto final; então o blog se tornou um negócio até que legal, um espaço na internet ond vc pd flr d qq coisa q kiser, naum precisa sr da sua vida meooo, podi ser di qq coixa mesmu, tm genti q ateh iscrv d um jeitu seriu mais ai eh mto xatu d le neh. Alguns são realmente pretensiosos demais. Outros poucos dão astronomicamente certo, se tornam praticamente sites, com visitação propriamente dita e tudo. Mas aí já é outra história. Onde eu quero chegar com isso? Em lugar nenhum, isso aqui não é dissertação de vestibular. Só joguei essas constatações pra contextualizar, e em seguida fechar o Cancioneiro explicitando aquilo que sempre foi minha opinião sobre seus espécimes: o espaço que o blog abre é realmente muito legal, sem dúvida nenhuma - sabendo aproveitá-lo e ao mesmo tempo não atribuindo a ele um valor que absolutamente não procede. Seu blog não vale nada, o que vale é aquilo que você escreveu. Nunca de fato "divulguei" o Cancioneiro, e não sei se pretendia. Idem vale para o que virá. Repudio qualquer coisa que se identifique como "comunidade blogueira" ou o escambau. Aquela coisa de troca de links, que na real vão ficar mofando na listinha ali do lado. Fica um contrabandozinho de links e "visitas". Quer coisa mais banal que isso, meu amigo? Faça-me o favor... e aqueles então, do tipo... você produz um negócio super bem feito, bem pensado, de qualidade mesmo... vem uma fulaninha, do naipe: "Oi Zé, adorei seu blog, muito fofo, bjos, Aninha Luluzinha". Se fosse um outro texto onde o Zé estivesse contando que já traçou a Aninha Luluzinha de tudo quanto é jeito [olha que ela até engole mas na real não sabe foder] não ia fazer diferença (ela não ia nem perceber e ia até querer dar de novo). Bom, isso só pra ficar em um aspecto da banalização que reina por aí. Não que eu esteja de fato me importando com isso ou aquilo em relação ao meu blog (às vezes a expressão "meu blog" parece me dar alergia, mas tudo bem), até porque além de repudiar não me incluo nesse balaio. Sinceramente, são pouquíssimos os blogs que eu acompanho - são "selecionados", são aqueles que de uma forma ou de outra conseguem prender meu interesse. Talvez justamente só os donos desses blogs é que estão lendo/vão acabar lendo esse texto. Quem sabe no "próximo" eu até mude um pouquinho de idéia e "divulgue" mais e/ou melhor. Ou não.

Quer saber? O novo endereço estará onde tiver de estar. Estará aqui já na próxima semana. Quem quiser entrar, agradeço. Ou melhor, agradeço o caraleo. Agradeço de verdade é quem se dispor a ler, nem que seja pra achar uma bosta, blog não vale nada mesmo. Termina o Cancioneiro, mas a essência fica ("da vida inteira" não era exatamente balela, né?). O que muda é a roupagem e tudo mais. O autor? O autor ainda continua o mesmo. Ainda.

Buenas noches from a lonely room (III).

"Para mim, o 'impulso' poético ou a 'inspiração' é apenas a súbita, e geralmente física, chegada da energia para a perícia e o senso estrutural do artesão." - Dylan Thomas

PS: se é tão estúpido assim, por que esse texto explicando, afinal? - Bem, eu tinha que avisar de alguma maneira, não?

[A saber: a música do Little Quail é do disco homônimo à banda, a diferença é que é escrito do mesmo jeito que se fala. Já guardei e não vou pegar de novo só pra copiar direitinho como é. C ya.]



Escrito por Paulo R. às 23h57
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11. Goodbye Yellow Brick Road / Elton John

"Sometimes things happen so fast that we lose track of what is really the most valuable."

Assim termina o texto de apresentação de Dave Swaney na contracapa do Greatest Hits dos Byrds, de 67. Algo como, "às vezes as coisas acontecem tão rápido que perdemos a noção daquilo que é realmente o mais valioso". É fato, crianças, que as coisas estão acontecendo mais rápido que nunca, apertando o passo aqui e ali, tendendo a pisar cada vez mais fundo. E é fato, crianças, que eu mesmo já não sei ou não consigo (ou os dois) lhes dizer o que é realmente esse aquilo. Não, a questão não é o progresso, não é política nem politicagem, não é a globalização, não é a sociedade (seja lá o que ela for), não é o mundo ocidental e o caraleo; não é nenhum desses deuses criados pelo homem depois que ele, de tão sabido, descobriu que era também o criador de Deus. A questão, crianças, não é nem mesmo o homem; mas o ser humano. As, hm, er... relações humanas?, talvez? É irônico como esse termo é patético até mesmo quando o usamos ironicamente.

O teor das últimas incursões abaixo, de certo modo, levou-me a me perguntar qual seria o teor desta. Não num questionamento, numa (auto)crítica ou afronte. Apenas uma espécie de breve reflexão, ou algo que o valha; seria interessante tentar criar um antídoto, qualquer aspirinazinha que fosse estaria bom. A princípio, ocorreu-me uma daquelas pílulas de felicidade, para a mente, para o espírito, sight for sore eyes. "Pequenas porções de ilusão", eficazes como só, que te pegam pela veia, quando querem te dão um tapa na cara até você chorar, e te põem pra cima. "Tiny Dancer", Quase Famosos. Singela como é, linda, a cena, a canção. E, para mim, algo muito verdadeiro (verdadeiro porque eu quero que seja, e pronto). Mas não. Não era isso, não ainda. "Tiny Dancer" é o brilho de um único momento. Mesmo que permaneça aceso aqui e acolá em sua memória por toda sua vida, ainda é um único momento. E as coisas acontecem tão rápido que não lhes interessa o raio que o parta de um único momento, pequenino em sua grandeza. Era preciso uma sucessão de momentos, e o resultado dessa sucessão. Onde, em que pé, afinal, estariam "as coisas"? Bernie Taupin: "'Goodbye Yellow Brick Road' é sobre a perda da inocência'".

Não vou ridiculamente posar de saudosista (ha ha ha), convenhamos: não acredito muito nessa coisa de "os tempos mudaram", não vivi esse outro "tempo". Além de que "tempo" é algo essencialmente em movimento, a natureza do tempo é a mudança, o que mostra a tamanha redundância do referido clichê. O que muda é a gente. É o certo, pensando bem, afinal somos seres vivos, o que mais seria o "cresce" que vem depois do "nasce" e antes do "se reproduz e morre"? (imediato assim até parece aranha: só aquelas preconizadas por Raulzito é que perduram. Caraleo). Já ia me esquecendo; antes de vivos, somos seres pensantes. Enfim... a tal da "inocência", cedo ou tarde, se não se perder vai embora sozinha mesmo. A questão não é a perda, mas como se perde, quanto se perde e, por que não, o que se ganha.

A "minha" estrada dos tijolos dourados, crianças, não diz respeito aqui ao indivíduo-ele, mas o indivíduo-conjunto. Sendo assim, a constatação é que simplesmente o ouro não está se desgastando, como deveria, para dar lugar a algo novo; está é sendo violentado pela ferrugem (sim, crianças, a ferrugem nunca dorme). E, junto com ele, tudo aquilo que é valioso. De pouco em pouco, é verdade, mas é tudo questão de tempo (olha ele aí de novo) e rumo.

(off-topic) [A saber: moralista é a puta sifilítica da tua mãe.]

Não se trata dos valores como nós os conhecemos. Aliás, isso tudo também é uma grande bobagem; não dá pra saber mais onde termina uma dita contestação e onde começa um feto Alien da mesmice. Conceitos são quebrados só para o surgimento de outros. A transgressão virou fast-food, a individualidade virou self-service (e confundiu-se com individualismo), o inconformismo virou uma drag incompetente em seu ofício. O wild side, tchu tchuru tchu, de outrora agora é mainstream; lindão. "Oh, crianças, isso é só o fim".

"Pra quê cara feia / na vida ninguém paga meia", disse Paulo Leminski. A mais pura das putas verdades, como seres humanos estamos todos no mesmo barco (ó lá o iceberg). Acontece que fazemos as coisas acontecerem tão rápido, mais do que elas próprias sozinhas, que perdemos a noção justo dessa verdade também. Pensamos alto mas nivelamos tudo por baixo. A "inocência", afinal, não era aquela romanticamente banalizada, mas a inocência da condição de ser humano, e todas as suas desimportantes minúcias, tão superficiais. Se "antes" a gente vivia, agora tem que teorizar - seja antes, durante ou depois de viver. Até temos as respostas certas, mas para as perguntas erradas, e... Por favor, se eu falar mais uma vez na 3ª do plural alguém tire o dedo da boca e fure meus olhos. Obrigado.

"Goodbye Yellow Brick Road" emana, antes de mais nada, uma certa nostalgia. A nostalgia é algo que ainda não se perdeu, ainda consegue escapar, embrenhando-se na floresta ou algo assim. Às vezes ela é pega de surpresa, um arranhão aqui, outro ali, que medo daquele bicho, tropeça, levanta, briga-perdoa-perdoa-briga. Mas ainda tem lá seu lugar. E tenho certeza que é ela que me puxa a orelha e me lembra do mundo, mundo, vasto mundo. Aliás, se "nostalgia" pode ter mesmo duas caras, dois lados, pelo menos pra mim é até que simpática, a danada. Caraleo. Tem gente que toma drogas. "Deixa, cada um tem direito, cada um com sua vida, e blá blá blá". De coração, eu concordo. Por isso mesmo, qual é o problema então de eu flertar com a nostalgia? Nunca disse adeus à estrada dos tijolos dourados - só um até logo, pra não desgastar a relação.

O que é mais, ou menos, valioso, continuo não sabendo; paciência. Já que se perde tanto, qualquer mínimo resquício que eu conseguir recolher, está de bom tamanho.

"Angels, we have grown apart" - Charles Bukowski

[Goodbye Yellow Brick Road é a faixa-título do clássico de 1973].



Escrito por Paulo R. às 01h40
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NOTA: não gosto da metalingüística parva e quero furar o olho dela. Rápido, antes que ela volte!... pronto; dane-se você. Não existe começo para uma charada suicida, mas existe fim. Afinal todo junkie é como um sol se pondo.

Em memória de Danny Whitten (1943-1972). Sabe-se lá porque.

10. Lost Cause / Beck

Olhos desconsolados, um deles injetado. Atravessam até os ossos, tristes. Tornam tão difícil deixar você sozinho, munido só de machucados e tendo que esperar um novo pobre diabo a quem apontar suas armas. Há tanta gente que você conhece, ou costumava conhecer - você não se cansa de se dar que "os tempos mudaram", não? Cada vez piores, os desgraçados, principalmente quando você está rabugento... calma, não é pra tanto ainda. Mesmo quando não é tão ruim assim, não há nada a fazer... além do mais, o que haveria? Vai furar seus próprios olhos? Não vou, não. Não dá. Aliás...

Aliás, é com eles que observo essas pessoas, muitas pessoas que costumava conhecer. Elas continuam ali, vêem você chegando, e também vêem você ir. Não sabem seus segredos e você não sabe os delas. Mas poderia ser diferente e às vezes é. Ora, são segredos mesmo... ninguém se importa. Como essa cidade é insana. Aliás...

Aliás, tem um lugar pra onde você está indo, não é? (Como você é repetitivo.) Não acho que você nunca tenha estado lá antes... enquanto você achava que não haveria mais ninguém para lhe proteger, na verdade não sobrou é ninguém para rir pelas suas costas. E ninguém esperando à sua porta.

...não é para isso que servia o amor??

Lutar, às vezes você até luta, mas é capaz de ser humano o suficiente para reconhecer que não é sempre. Não mesmo. A gente entende, tenta entender. Fácil acreditar em Deus, um pouco mais difícil convencer Deus a acreditar em você. E a verdade é que cansa cada vez mais procurar só para encontrar mais uma causa perdida.

[Lost Cause @ Sea Change, 2002.]



Escrito por Paulo R. às 22h31
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INTERLÚDIO LITERÁRIO (II)

"Só tiro o dedo da boca pra furar os seus olhos."

- Santiago Nazarian



Escrito por Paulo Ricardo às 20h38
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9. Room Full of Mirrors / Pretenders

Chrissie Hynde (re)interpretou Jimi Hendrix. Algo como um reflexo. Este é outros dos reflexos possíveis.

"Estou preso numa sala cheia de espelhos. Tudo o que consigo ver é a mim mesmo". Não foi o que você me disse, não literal, diretamente, pelo menos. Mas é o que você reflete. "Pegue a sua alma e com ela quebre seus espelhos". É o que tento refletir-lhe agora. Cedo ou tarde o mundo todo estará à sua vista. Sim, eu disse o mundo todo estará à sua vista. (Não pense que já está, cara-pálida. Engana-se em sua realidade psicodélica; todos esses espelhos conduzindo os muitos lados de suas emoções). Só então procure por seu futuro suposto amor.

O vidro quebrado cai sobre seu cérebro (perdão por ser oh!, tão cerebral), cortando e gritando e chorando - visceral - em sua mente. Pode esperar, pois não termina por aí. Cedo ou tarde os fragmentos de seus espelhos estraçalhados vão chover em seus sonhos e cortar-lhe. Sim, chover em seus sonhos e cortar-lhe. Agudos porém necessários, antes que out of the blue você acabe por acordar um estranho sozinho em sua cama. Não seria o amor estranho em sua cama?

"...pois ele vem brilhando sobre as montanhas, e vem brilhando sobre o mar". Alto lá!, essa fala era minha.

Obrigado. Ora, não creio que o reflexo em seu espelho seja meu. Love will shine on my baby. Love will shine on "me, baby". (Não custa tentar, de repente, aprender alguma coisa das pequenas refrações, e depois fazer sua escolha). Aí então você saberá exatamente quem é para você. "Aí então eu saberei exatamente quem é para mim". Cuidado para não acabar acordando com um estranho sozinho em sua cama.

Até lá - não entenda como preferir - com sorte, quem sabe, we still can have a lotta groovy times. Uma pena que nem sempre; mesmo. Keep the change.

Estes são outros reflexos possíveis.

[Room Full of Mirrors figurou no repertório de Jimi Hendrix desde 1968. Uso aqui como referência a versão encontrada em First Rays of the New Rising Sun, lançado em 1997. A bombástica interpretação dos Pretenders está em Get Close, de 1986.]



Escrito por Paulo Ricardo às 16h21
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